Confira a cronologia de decisões do STF sobre pedidos de Bolsonaro desde a prisão domiciliar
Escrito por Nilson Oliver em 16 de Janeiro, 2026
Em última decisão sobre solicitações do ex-presidente, o ministro do STF encaminhou o capitão da suplente para a Papudinha, autorizou atendimento religioso e redução da pena com leitura de livros e negou entrada a SmartTV
TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO E WILTON JUNIOR / ESTADÃO CONTEÚDO
Desde 4 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes proferiu decisão favorável a 52 pedidos feitos pela resguardo de Bolsonaro e negou 10 solicitações
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federalista (STF), determinou na quinta-feira (15) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federalista, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Região Federalista, sabido uma vez que Papudinha. A decisão foi uma resposta ao pedido feito pela resguardo para que “as autoridades responsáveis pela custódia adotassem, com brevidade, as providências técnicas necessárias à correção” do estrondo causado pelo ar-condicionado do prédio da PF. “Seja mediante adequação do equipamento, isolamento acústico, mudança de layout ou de outra solução equivalente, garantido-se ao custodiado condições adequadas de repouso e permanência no sítio”, solicitou os advogados do ex-chefe do Executivo ao magistrado.
Na mesma decisão, Moraes seguiu recomendação da Procuradoria-Universal da República (PGR) e autorizou atendimento religioso a Bolsonaro, mas negou entrada a aparelho de televisão do tipo SmartTV. O ministro também permitiu ao ex-presidente participar do programa de leitura de livros para redução da pena de 27 anos e três meses de prisão. Sobre solicitação feita pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para que a Percentagem de Direitos Humanos do Senado fizesse uma diligência na Superintendência da PF para estimar a exigência do sítio que o ex-chefe do Executivo estava recluso, o magistrado entendeu que o pedido não tem mais efeito prático já que o capitão da suplente foi transferido para a Papudinha.
O ministro ainda autorizou a disponibilização de aparelhos para Bolsonaro fazer fisioterapia, uma vez que esteira e bicicleta, “atendendo a recomendação médica privado”. Aliás, Moraes determinou a “instalação de grades de proteção e barras de pedestal na leito e em outros locais” da unidade destinada ao ex-presidente. Dos privilégios que o magistrado havia facultado ao capitão da suplente na Superintendência da PF, manteve-se:
Custódia em uma Sala de Estado-Maior, só dos demais presos;
Assistência médica integral 24h;
Transferência imediata para hospitais em caso de emergência
Fisioterapia;
Entrega diária de repasto próprio por pessoas indicadas pela resguardo;
Banho de sol;
Visitação semanal permanente da esposa Michelle Bolsonaro, dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura Bolsonaro e da enteada Letícia Firmo da Silva;
Televisão a cores e em canais abertos;
Ar-condicionado.
Desde a prisão domiciliar de Bolsonaro, em 4 de agosto, até a última quinta, Moraes foi favorável aos pedidos feitos pela resguardo do ex-presidente em 52 despachos. O ministro negou 10 solicitações e entendeu, em duas ocasições, que as petições apresentadas já não tinham mais efeito prático. Leia a cronologia de decisões:
7 de agosto
Posteriormente pedido da resguardo, Moraes autorizou Bolsonaro receber em sua residência, no Região Federalista:
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas;
Vice-governadora do Região Federalista, Celina Leão;
Deputado federalista Junio Amaral (PL-MG);
Deputado federalista Marcelo Moraes (PL-RS);
Deputado federalista Zucco (PL-RS);
Empresário Renato de Araújo Corrêa.
No mesmo dia, o ministro acatou o pedido para Bolsonaro receber os seus médicos no Condomínio Solar de Brasília sem premência de informação prévia. Receberam a permissão: Cláudio Birolini, Leandro Echenique, Luciana e Erasmo Tokarski
8 de agosto
O magistrado permitiu a visitante de Celina Leão e dos deputados federais Domingos Sávio (PL-MG), Joaquim Passarinho (PL-PA), capitão Alden (PL-BA) e Júlia Zanatta (PL-SC), mas negou ao parlamentar Gustavo Gayer (PL-GO) por ele ser fim em uma investigação que tinha conexão com processos em curso contra Bolsonaro. Em outra decisão, Moraes autorizou a ingressão de oito familiares do ex-presidente na residência para celebração do Dia dos Pais, em 10 de agosto.
12 de agosto
Moraes aceitou solicitação para Bolsonaro deixar a prisão domiciliar, em 16 de agosto, para fazer exames no Hospital DF Star, em Brasília. Na mesma decisão, acatou os pedidos para o ex-presidente receber visitante de:
Senador Rogério Pelágico (PL-RN);
Deputado federalista Altineu Côrtes (PL-RJ);
Deputado estadual de São Paulo Tomé Abduch (Republicanos);
Vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araujo (PL).
14 de agosto
Ministro autorizou visitante do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
27 de agosto
Moraes permitiu a ida de Patricia Ribeiro de Santana, solene do 1º Ofício de Notas e Protesto de Brasília, a mansão de Bolsonaro. Resguardo justificou o pedido alegando “a premência de trâmites cartorários”, segundo informou o ministro.
31 de agosto
Bolsonaro foi autorizado a receber Damares.
1º de setembro
Ministro permitiu visitante do deputado federalista Arthur Lira (PP-AL).
8 de setembro
Moraes acatou pedido de Bolsonaro para ir ao Hospital DF Star, em 14 de setembro. O ex-presidente passou por um procedimento para remoção de lesões na pele.
10 de setembro
Magistrado negou a Bolsonaro recepção de “visitas contínuas e livres sem premência de autorização judicial” de:
Rogério Pelágico;
Altineu Côrtes;
Valdemar Costa Neto;
Deputado federalista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ);
Deputada federalista Carol de Toni (PL-SC);
Vice-presidente do PL em Rondônia, Bruno Scheid.
No mesmo dia, o ministro permitiu que fossem à residência do ex-presidente:
Senador Carlos Portinho (PL-RJ);
Senador Marcos Rogério (PL-RO);
Deputado federalista Ubiratan Sanderson (PL-SC);
Bruno Scheid.
15 de setembro
Foram autorizadas as visitas de:
Rogério Pelágico;
Sóstenes Cavalcante;
Tarcísio de Freitas;
Valdemar Costa Neto;
ex-ministro de Minas e Força Adolfo Sachsida;
Deputado federalista Rodrigo Valadares (União Brasil-SE).
Em outra decisão proferida no dia, Moraes permitiu que a ex-primeira-dama recebesse seu Grupo de Orações na residência. Pedido foi feito pela resguardo de Bolsonaro.
18 de setembro
Bolsonaro teve aval de Moraes para recepcionar Sóstenes Cavalcante e Rodrigo Valadares.
19 de setembro
Senadores Esperidião Amin (Progressistas-SC) e Marcos Pontes (PL-SP) e os deputados federais Osmar Terreno (PL-RS) e Carol de Toni receberam permissão para visitar o ex-presidente.
23 de setembro
Moraes autorizou mais uma visitante do Grupo de Orações de Michelle.
1º de outubro
Ministro acatou pedido para ida do Grupo de Orações à mansão da família Bolsonaro, em Brasília.
6 de outubro
Grupo de Orações recebeu permissão para ir a residência de Bolsonaro. Assim uma vez que:
Senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI);
Senador Márcio Bittar (PL-AC);
Assessor de Valdemar Costa Neto, Marcus Ibiapina;
Bruno Scheid;
Marcos Pontes;
Sóstenes Cavalcante;
Presidente do PL.
8 de outubro
Ministro autorizou troca de horário do Grupo de Reza. Em outra decisão, Moraes permitiu que Charlinston Fernandes fosse a mansão de Bolsonaro para “prestar serviços de barbearia”.
9 de outubro
Bolsonaro recebeu aval do ministro para o Jorge Francisco, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), visitá-lo. Moraes, em outro despacho, permitiu a ida do deputado federalista Hélio Lopes (PL-RJ) à mansão do ex-presidente.
10 de outubro
Governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), foi autorizado a se encontrar com Bolsonaro na residência do ex-presidente no Condomínio Solar de Brasília.
13 de outubro
Moraes permitiu que a médica Marina Grazziotin Pasolini comparecesse na mansão de Bolsonaro “sem premência de informação prévia”. No mesmo dia, o ministro autorizou mais um encontro do Grupo de Reza de Michelle na residência. O magistrado ainda deu aval para o deputado estadual de Minas Gerais Cristiano Caporezzo (PL-MG) e o parlamentar Mauricio do Vôlei (PL-MG) visitarem o ex-presidente.
16 de outubro
O ministro autorizou a família Bolsonaro a receber oito pessoas para a celebração dos 15 anos de Laura. Dentre os convidados, estava Damares.
20 de outubro
Moraes permitiu encontro do Grupo de Reza e Michelle.
22 de outubro
O ministro negou a Bolsonaro receber Valdemar Costa Neto. À era, estava em curso processo em que ambos eram investigados, uma das determinações do próprio Moraes no percurso da ação era a proibição de contato entre os réus. Em outro despacho, o magistrado permitiu a visitante de Jorge Francisco, Rogério Pelágico, do deputado federalista Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) e do ex-parlamentar e presidente da Instalação Neopentecostal Comunidade Evangélica Sara Nossa Terreno, Robson Rodovalho.
29 de outubro
Foram autorizadas as visitas de Altineu Côrtes, do deputado federalista Alberto Fraguedo (PL-DF), do ex-piloto da Fórmula 1 Nelson Piquet e do jornalista Alexandre Paulovich Pittoli. No entanto, Moraes voltou a negar ida de Gayer à mansão de Bolsonaro pelo mesmo motivo apresentado anteriormente. O ministro ainda interpretou que a solicitação para o ex-presidente recepcionar o irmão Renato Bolsonaro não tinha mais efeito prático, porque, em 6 de outubro, o magistrado havia determinado que “filhos, noras, irmãos, irmãos, cunhadas, cunhados, netas e netos do cutodiado” poderiam ir à residência “sem premência” de pedir aval.
3 de novembro
Reunião do Grupo de Orações na mansão de Bolsonaro foi autorizada.
11 de novembro
Moraes deu aval para Bolsonaro receber:
Adolfo Sachsida;
Alfredo Gaspar;
Senador Magno Súcia (PL-ES);
Deputado federalista Marcel Van Hattem (Novo-RS);
Deputado federalista Nikolas Ferreira (PL-MG);
Influenciadora mineira Barbara Zambaldi Destefani.
Também foi autorizado, em outra decisão, encontro do Grupo de Reza.
13 de novembro
Ministro permitiu que o ex-presidente recepcionasse:
Adolfo Sachsida;
Bruno Scheid;
Tarcísio de Freitas;
Ubiratan Sanderson;
governador de Goiás, Ronaldo Caiado;
governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro;
Deputado federalista Guilherme Derrite (PP-SP);
Deputado federalista José Medeiros (PL-MT);
Deputado federalista Evair Vieira de Melo (PP-ES);
Ex-parlamentar Odelmo Leão;
Padre Pablo Henrique de Faria;
Padre Paulo M. Silva;
Padre Cleidimar da Silva Moreira.
17 de novembro
Encontro do Grupo de Reza foi permitido.
25 de novembro
Posteriormente mandar prisão preventiva de Bolsonaro, em 22 de novembro, Moraes autorizou a entrega de repasto próprio a Bolsonaro na Superintendência da PF por pessoas de confiaça a serem designadas pela resguardo do ex-presidente.
27 de novembro
Ministro permitiu que Bolsonaro recebesse os filhos Carlos e Flávio Bolsonaro separadamente.
30 de novembro
Moraes autorizou visitante de Laura acompanhada da mãe, Michelle, por ser menor de idade. Bolsonaro recebeu aval para receber Carlos. O ministro ainda validou as três pessoas informadas pela resguardo para entregarem a repasto próprio ao ex-presidente.
2 de dezembro
Cardiologista Brasil Caiado passou a poder visitar Bolsonaro sem agendamento prévio.
3 de dezembro
Ministro negou pedido para reagendar visitante de Carlos para 7 de dezembro, dia de seu natalício. Por ser em um domingo, segundo Moraes, estaria fora das datas permitidas pela Superintendência da PF para recepção de familiares de custodiado.
5 de dezembro
Foi autorizada as visitas de Michelle e Carlos separadamente.
11 de dezembro
Moraes permitiu mais uma encontro de Bolsonaro com Michelle e Carlos, em horários diferentes, na Superintendência da PF. Também no mesmo dia, o ministro solicitou à PF envio de relatório sobre saúde do ex-presidente para estimar o pedido da resguardo de cirurgia.
13 de dezembro
O magistrado deu aval para ser feito exames de ultrassonografia em Bolsonaro, na Superintendência da PF.
18 de dezembro
Moraes definiu que as visitas de Michelle fossem permanentes, sem premência de autorização do STF, unicamente respeitando os horários e dias estipulados pela Superintendência da PF. O ministro também autorizou ida de Eduardo Torres, cunhado de Bolsonaro, para ver o ex-presidente e a licença de entrevista ao portal Metrópoles, que seria realizada em 23 de dezembro, mas foi cancelada pelo capitão da suplente.
19 de dezembro
Ministro negou o pedido de prisão domiciliar e a troca de horário da fisioterapia. No entanto, autorizou Bolsonaro fazer cirurgia no Hospital DF Star, em 25 de dezembro.
23 de dezembro
Bolsonaro recebeu autorização para trespassar da Superintendência da PF, em 24 de dezembro, para internação no Hospital DF Star. O ministro permitiu que Michelle acompanhasse o ex-presidente durante todo o período na unidade de saúde.
24 de dezembro
Moraes permitiu que Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura visitassem o pai internado.
26 de dezembro
Ministro autorizou a enteada de Bolsonaro a ir vê-lo no hospital, mas negou o pedido de outras visitas sem reportar nomes.
30 de dezembro
O magistrado não permitiu que o sogro de Bolsonaro o visitasse no hospital sob a justificativa de que o ex-presidente estava internado em lado da unidade de saúde que possuía restrições de visitação.
1º de janeiro
Moraes negou mais uma vez solicitação para Bolsonaro satisfazer pena em morada.
2 de janeiro
O ministro definiu que Flávio, Carlos Jair Renan, Laura e Letícia tinham autorização para visitar Bolsonaro na Superintendência da PF de forma permanente sem premência de solicitar aval do STF.
5 de janeiro
O ministro solicitou que a PF adotasse providências para resolver o estrondo do ar-condicionado que causava incomodo a Bolsonaro.
6 de janeiro
Moraes pediu para PF envio de relatório sobre o atendimento prestado a Bolsonaro depois a queda na quartinho da Superintendência da corporação.
7 de janeiro
O magistrado acatou solicitação da resguardo para que o ex-presidente fosse ao Hospital DF Star averiguar se a queda não havia causado maiores danos a saúde do ex-chefe do Executivo.
13 de janeiro
Moraes julgou que o recurso apresentado pela resguardo de Bolsonaro para levar ao Plenário do STF a discussão sobre os embargos infringentes contra a pena de 27 anos e três meses de prisão imposta pela Primeira Turma da Golpe. Segundo o ministro, a solicitação é “absolutamente incabível juridicamente”, já que a petição foi protocolada depois o trânsito em julgado do processo.



