Derrite altera projeto antifacção e limita atuação da Polícia Federal em investigações
Escrito por Nilson Oliver em 11 de Novembro, 2025
PF criticou as mudanças do deputado, disse que elas ‘colocam em risco o interesse público’ e podem simbolizar um retrocesso significativo no enfrentamento a crimes uma vez que devassidão, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e desvios de recursos públicos
Marcelo Estevão/Thenews2/Estadão Teor
SP – ACSP/SEGURANÇA PÚBLICA/DERRITE – GERAL – O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, participa do Simpósio Pátrio de Segurança Pública, na sede da ACSP, na Rua Boa Vista, no núcleo de São Paulo, nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025. 26/09/2025
A Polícia Federalista (PF) se manifestou, nesta segunda-feira (10) contra uma proposta de modificação no projeto antifacção, apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP). Em nota divulgada em seu site solene, a corporação expressou preocupação com a modificação que, segundo a PF, retira atribuições importantes da instituição na investigação e combate ao delito organizado. “O texto em discussão ameaço comprometer o objetivo inicial da proposta, que é fortalecer o combate ao delito e melhorar o enfrentamento às organizações criminosas. As modificações propostas colocam em risco o interesse público, ao reduzir a capacidade da Polícia Federalista de agir de forma autônoma e eficiente”, destacou a PF na nota.
A proposta em discussão no Congresso Pátrio visa, de concordância com o Governo Federalista, endurecer as penas e fortalecer as instituições responsáveis pelo enfrentamento às organizações criminosas. No entanto, a Polícia Federalista alertou que as mudanças sugeridas no projeto poderiam enfraquecer esse objetivo, colocando em risco os avanços obtidos nas últimas décadas no combate a crimes uma vez que devassidão, tráfico de drogas, e outros delitos cometidos por grupos de grande alcance.
A principal modificação proposta pelo deputado Derrite é a limitação da atuação da Polícia Federalista em investigações, restringindo sua atuação a pedidos feitos por governos estaduais. Para a PF, essa mudança pode enfraquecer as operações contra o delito organizado e diminuir o alcance das investigações. “A proposta estabelece uma requisito perigosa: a Polícia Federalista só poderia entrar em investigações com autorização dos governos estaduais, o que representa um risco real de esgotamento no combate a organizações criminosas de grande porte”, alertou a nota da corporação.
A PF reforçou que, caso as novas regras já estivessem em vigor, diversas operações recentes de grande sucesso contra o delito organizado não teriam ocorrido. “As investigações que resultaram na desarticulação de organizações criminosas poderosas, que atuam em diversas áreas do delito, não teriam sido possíveis com as mudanças sugeridas por esse texto”, afirmou a nota.
De concordância com a Polícia Federalista, a modificação proposta, além de restringir as competências da PF, pode simbolizar um retrocesso significativo no enfrentamento a crimes uma vez que devassidão, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e desvios de recursos públicos, que exigem uma atuação integrada e independente das forças de segurança. Essas modificações comprometem o alcance e os resultados das investigações. A mudança nas atribuições da Polícia Federalista enfraquece o combate a crimes que afetam a sociedade uma vez que um todo, e pode permitir que organizações criminosas continuem agindo sem a devida repressão”, conclui a nota da PF.
A proposta ainda está sendo analisada pelo Congresso, e sua aprovação poderá mudar a dinâmica do combate ao delito no Brasil. A Polícia Federalista segue atenta às discussões, reforçando a urgência de manter sua independência e capacidade investigativa para prometer a segurança da população e o combate efetivo às organizações criminosas.
*Com informações do Estadão Teor





