Senadores criticam trocas na CPI do Crime Organizado após rejeição de relatório
Escrito por Nilson Oliver em 14 de Abril, 2026
Em manobra de Lula e Alcolumbre, Moro e Marcos do Val foram substituídos por Teresa Leitão e Beto Faro
Carlos Moura/Dependência Senado
A CPI do Violação Organizado rejeitou relatório final por seis votos contra e quatro em prol
Senadores criticaram nesta terça-feira (14) a troca de parlamentares da Percentagem Parlamentar de Sindicância (CPI) do Violação Organizado antes da votação do relatório final. Os parlamentares se manifestaram depois de o texto que pedia indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federalista (STF) ter sido rejeitado por seis votos contra e quatro em prol.
Por meio de publicação no X (ex-Twitter), o relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse que, em uma democracia, o resultado das votações deve ser respeitado “mesmo quando não lhe é favorável”. “É importante registrar o dilação da votação e ulterior substituição para fins de votação de dois parlamentares que seriam favoráveis ao relatório, por dois parlamentares que votaram contra o relatório, seguindo a orientação do governo. Essas movimentações fazem secção das estratégias regimentais, mas mostrar seu impacto é necessário”, escreveu.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), em vídeo publicado nas redes sociais, disse que “todos têm recta à ampla resguardo e são inocentes até que se prove o contrário, mas ninguém está supra da lei”. “É sempre assim, quando investigações ameaçam quem está no poder, o governo age para escamotear”, declarou.
O senador Marcos do Val (Avante-ES), em publicação no X, disse que “a reação do sistema foi brutal”. “Trabalharam pesado para tirar do caminho quem é compromissado com a Justiça e não passa tecido para criminoso”, escreveu.
Fala de Lula e Alcolumbre
Uma manobra feita em conjunto pelo patrão do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resultou na troca de integrantes da CPI do Violação Organizado. Saíram os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES). Eles foram substituídos por Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA).
Em entrevista coletiva a jornalistas, Moro destacou que as investigações precisam ter prosseguimento: “Quando foi lido o relatório, havia perspectiva de aprovação, o governo Lula me tirou e colocou em substituição senadores do PT. Vamos apurar os fatos e extrair consequências, tinha condenações, mas por meio dessa manobra serei impedido de fazê-lo, uma manobra que impede que os fatos sejam investigados”, argumentou.
Nomes de oposição e adversários do STF foram substituídos por nomes governistas para blindar os ministros citados no relatório.
Já o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que manobras digitais do governo Lula foram feitas para derrubar um texto elaborado posteriormente muitas oitivas e interceptação de dados. “É mudar a regra do jogo na hora do jogo, trocar integrantes que nunca participaram de zero e que vão votar, e ao que tudo indica, derrotar o relatório”, pontuou.
A CPI do Violação Organizado tinha 11 senadores titulares, dos quais dez votam, e sete suplentes.





