Em discurso de 7 de Setembro, Lula cita ‘traidores da pátria’ e diz que Brasil ‘não será colônia de ninguém’
Escrito por Nilson Oliver em 6 de Setembro, 2025
Presidente fez pronunciamento em calabouço pátrio na véspera do natalício da independência, defendeu soberania e declarou que história não perdoará ‘políticos brasileiros que estimulam os ataques’ ao país
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento à pátria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou neste sábado (6) sobre a Independência do Brasil, que amanhã completa 203 anos. Em meio ao tarifaço imposto por Donald Trump e ameaças de mais sanções, articuladas pelo deputado federalista Eduardo Bolsonaro — fruto de Jair Bolsonaro, predecessor e maior inimigo político do PT atualmente —, Lula disse, sem referir o presidente dos Estados Unidos, que o “único possessor” do país é o “povo brasílico”. O petista também abordou em sua fala o Pix, sistema de pagamento cândido de uma investigação pela Moradia Branca, e defendeu a regulação das redes sociais.
“Mantemos relações amigáveis com todos os países, mas não aceitamos ordens de quem quer que seja. O Brasil tem um único possessor: o povo brasílico. Por isso, defendemos nossas riquezas, nosso meio envolvente, nossas instituições”, disse o petista. Ontem, em oração na Moradia Branca, Trump disse que está “chateado” com o governo brasílico, que classifica de “esquerda radical”. O americano ameaçou restringir vistos para a Tertúlia Universal da ONU, em Novidade York. “Estamos muito irritados com o Brasil. Já aplicamos tarifas pesadas porque eles estão fazendo um tanto muito infeliz.”
Trump usa uma vez que justificativa para suas ações contra o Brasil o que labareda de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o republicano, seu coligado na América do Sul não enfrenta um julgamento justo no STF (Supremo Tribunal Federalista). Ao menos um dos ministros da Incisão já enfrenta as consequências da ira da Moradia Branca. Alexandre de Moraes foi sancionado com base na Lei Magnitsky, o que inclui bloquei de bens e contas e proibição de entrar nos Estados Unidos. A justificativa foi que Moraes violou a liberdade de sentença e autorizou prisões arbitrárias.
Foi mais um gancho para Lula focar na soberania pátrio, mantra do governo federalista durante a guerra mercantil e retórica contra os EUA. Aproveitando o 7 de Setembro, o presidente fez um paralelo entre os rumos que o Brasil tomou depois deixar de ser colônia de Portugal e a influência americana nos dias hoje. “Na era da colonização, nosso ouro, nossas madeiras, nossas pedras preciosas, zero disso pertencia ao povo brasílico. Toda nossa riqueza ia embora do Brasil para ajudar a enriquecer outros países. Mais de 200 anos se passaram e nós nos tornamos soberanos. Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terreno e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro”, disse Lula.
Amanhã, o presidente participará das comemorações do 7 de Setembro e Brasília e deverá voltar a tutorar a soberania pátrio. Oriente tema, aliás, estará presente em outras capitais, em manifestações de esquerda convocadas pelo governo. A teoria é competir com a oposição, que também vai às ruas neste Dia da Independência, mas com outras pautas. Na Avenida Paulista, aliados de Jair Bolsonaro devem tutorar a anistia a envolvidos no 8 de Janeiro, o que inclui o ex-presidente.
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Em seu oração, Lula tocou no objecto, também sem referir nomes. Defendeu a democracia em meio ao julgamento de Bolsonaro, réu de intrigar para não entregar o governo ao rival, e chamou de “traidores da pátria” quem articulou as tarifas dos EUA junto ao governo americano, um evidente recado a Eduardo Bolsonaro. “Defendemos nossa democracia e resistiremos a qualquer um que tente golpeá-la. É inadmissível o papel de alguns políticos brasileiros que estimulam os ataques ao Brasil. Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasílico, mas defendem exclusivamente seus interesses pessoais. São traidores da pátria. A história não os perdoará.”





