Faixa Atual

Título

Artista


“Ideia política” marca papado de Francisco, diz historiador italiano à CNN

Escrito por em 29 de Março, 2025

O papa Francisco atingiu neste mês a marca de 12 anos desde que foi eleito pontífice. A marca foi atingida em meio a uma internação de cinco semanas em Roma para tratar uma infecção respiratória. Com o marco no pontificado, as reflexões sobre o período primeiro da Igreja Católica, êxitos, fracassos e momentos mais marcantes se tornam inevitáveis.Uma vez que papa, Francisco promoveu diversas reformas na Igreja, sobretudo na secção administrativa, na chamada Cúria.Ao mesmo tempo, o prateado tentou deixar simples que não adotaria o mesmo estilo de vida de outros papas, rejeitando alguns “luxos” da Igreja, uma vez que o próprio Palácio Apostólico, residência solene do pontífice.Ao invés disso, Francisco escolheu a Vivenda Santa Marta para morar, um prédio no Vaticano que abriga dezenas de quartos, onde cardeais se hospedam quando viajam ao Vaticano.O papa é um gerente de Estado e é impossível dissociar a política desse papel. É o que reforça Loris Zanatta, professor e historiador da Universidade de Bolonha e responsável do novo livro “Bergoglio – Uma biografia política” (tradução livre).“É inevitável que quem está na subida cúpula da política, quem cultiva altos ideais políticos, uma vez que sem dúvidas o papa Francisco cultiva, necessariamente se envolve no grave escalão da política, o que implica em negociações, compromissos e acordos”, destaca Zanatta, em entrevista à CNN Brasil. Loris Zanatta, professor e historiador da Universidade de Bolonha • Creative CommonsEsse cenário no papado reflete secção das origens e da formação de Francisco na Igreja da Argentina. Segundo Zanatta, o catolicismo prateado tem uma história em que “a esfera místico nunca se separou da esfera temporal, muito pelo contrário”.O historiador, profundo estudioso da Igreja argentina, reforça que a religião do país impunha uma espécie de tutela sobre a ordem política e social. Isso, segundo ele, acabou sendo levado ao pontificado. “O papado de Francisco deixa transparecer uma teoria política”, completa Zanatta.Além das funções políticas, Loris Zanatta também destaca o paisagem da diplomacia do pontificado de Francisco. Um dos exemplos é a atuação do pontífice para pressionar indiretamente os Estados Unidos a não bombardear a Síria, ainda na gestão de Barack Obama.Francisco organizou uma reunião de reza na Rossio São Pedro em uma mediação contra a ação americana. Mas Zanatta reforça o motivo por trás desse posicionamento papal: “Ele conseguiu bloquear efetivamente o bombardeio e, depois, confiou a proteção de sírios católicos aos russos”, destaca.A Rússia apoiou forças de segurança ligadas a Bashar Al-Assad na guerra social, que prosseguiu mesmo com a pressão do pontífice. Distanciamento do OcidenteZanatta sugere que essa pressão do pontífice contra o bombardeio americano na Síria diz reverência a um dos êxitos do papado de Francisco até agora: o de distanciar a Igreja Católica do Oeste.“A anseio era fabricar uma autonomia da Igreja de uma identificação histórica com o Oeste, é o legado principal dele e é provável que o sucessor siga o mesmo caminho”, explica Zanatta.Essa estratégia de distanciamento, segundo o historiador italiano, está profundamente ligada à valorização que o papa Francisco dá à “cultura dos povos”.Para o pontífice prateado, a religiosidade de cada cultura é um elemento fundamental e mais importante do que as estruturas políticas ocidentais, incluindo a democracia liberal. Francisco observa o Oeste uma vez que um espaço secularizado e “descristianizado”, que perdeu a conexão religiosa ainda presente em muitas sociedades não ocidentais, pelas quais demonstra maior simpatia, segundo a estudo de Zanatta.Diplomacia do VaticanoA diplomacia do Vaticano está centrada no seu secretário de Estado, Pietro Parolin, escolhido pelo papa Francisco. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, aguarda encontro com o Rei Felipe VI da Espanha no Palácio da Zarzuela em 14 de outubro de 2016 em Madri, Espanha. • Carlos R. Alvarez/WireImageA nomeação de Parolin, segundo Zanatta, reflete uma semelhança com o peronismo, um modo de governo em que o governante se tapume de pessoas que são ideologicamente muito parecidas com ele. “É um estilo verticalista, ou seja, explicitamente de cima para grave. O papa sempre buscou funcionários muito obedientes e muito próximos a ele”, comenta.Porém, apesar de dispor de uma estrutura formal de canais diplomáticos oficiais, é generalidade que o papa Francisco utilize meios informais para seguir pautas de relações exteriores, ainda segundo a entrevista de Loris Zanatta à CNN.Segundo o professor, o pontífice já tratou de assuntos relacionados à guerra Ucrânia x Rússia por meio da chamada Comunidade de Santo Egídio, uma associação pública de leigos da Igreja Católica e com fortes laços com os russos. Essa entidade é conhecida pelo espeque filantrópico a pessoas pobres, acolhida a imigrantes e diálogos pela silêncio.Outro exemplo de diplomacia informal é o já mostrado anteriormente: a reunião com orações para pressionar os americanos a não bombardearem a Síria. O pontífice poderia mobilizar os núncios, diplomatas que representam a Santa Sé em outros países, para mostrar uma oposição à ofensiva dos Estados Unidos, mas preferiu usar uma mostra de reza e espiritualidade uma vez que forma de mediação.Por término, Loris Zanatta aponta o que ele considera ser um outro grande legado da era de Francisco, até agora. É a teoria de cooperação entre grandes religiões monoteístas, uma vez que o cristianismo, islamismo e judaísmo. Ao longo do pontificado, Francisco viajou por vários países, inclusive de não maioria não católica, uma vez que a Mongólia, Mianmar, Indonésia e Egito.“Isso foi demonstrado de milénio maneiras… Gestos, discursos, viagens ao longo de seu pontificado para povoados do mundo, países que não pertencem ao Oeste democrático liberal. Ele acredita que esses lugares conservam em certa quantidade a religiosidade que ele acredita que o Oeste já tenha perdido”, finaliza. Papa Francisco na chegada à Indonésia • 3/9/2024 REUTERS/Willy Kurniawan


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *