Como agem a pregabalina e a sertalina, que defesa alega terem causado ‘alucinação’ em Bolsonaro
Escrito por Nilson Oliver em 23 de Novembro, 2025
Para profissionais, alucinações não são um efeito típico da combinação desses remédios
Lula Marques/Dependência Brasil
Bolsonaro foi recluso no sábado (22)
O ex-presidente Jair Bolsonaro, disse em audiência de custódia neste domingo (23) que teve uma “alucinação” e uma “certa paranoia” que motivaram a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de soldadura na noite de sexta-feira (21). Bolsonaro atribuiu sua atitude a remédios que estava tomando: pregabalina e sertalina.
De convenção com as bulas dos medicamentos, a pregabalina é um anticonvulsivo usado para tratar sofreguidão e a sertralina é um antidepressivo.
A psiquiatra do Hospital Teutónico Oswaldo Cruz, Dra. Flávia Zuccolotto explica que a associação entre os dois medicamentos é geral na prática clínica e, em universal, é segura quando é prescrita e monitorada por um médico:
“Não há uma interação grave reconhecida entre elas. A principal soma de efeitos costuma ocorrer no aumento de sonolência, redução de atenção e lentidão psicomotora, mormente no início do tratamento ou durante ajustes de ração”, analisa.
A médica também ressalta que qualquer mudança ou combinação de medicamentos deve ser orientada por um profissional de saúde.
Efeitos colaterais
Ainda segundo as bulas dos remédios, os efeitos colaterais mais comuns da pregabalina são tontura, sonolência, proveito de peso, visão turva ou dupla, inchaço, boca seca, dificuldade de concentração e atenção.
E os da sertralina são: náusea, diarreia, indigestão, perda de gosto, aumento da sudorese, tremores e disfunção sexual, comportamento hiperativo e motim.
Para a Dra. Flávia Zuccolotto alucinações não são um efeito típico dessa combinação “são efeitos muito raros tanto da sertralina quanto da pregabalina, individualmente ou em conjunto”. Mas, alterações da siso percepção e confusão mental podem ocorrer de forma rara:
“Mormente em doses altas, no início do tratamento, em pessoas com vulnerabilidade neurológica ou psiquiátrica prévia ou em uso de outras substâncias que deprimem o sistema nervoso mediano. Ou seja, pode ocorrer, mas é incomum e não é considerado um efeito direto da associação das medicações”.
De convenção com a profissional do Hospital Oswaldo Cruz, os sinais e o comportamento de uma pessoa que está vivenciando alucinações são:
“Elas podem ser auditivas (ouvir vozes), visuais (ver imagens ou figuras), táteis (sensações no corpo), olfativas (perceber odores inexistentes), entre outras. E a intensidade varia: algumas pessoas conseguem manter certas atividades, enquanto outras apresentam prejuízo mais evidente. A pessoa pode parecer distraída, falar sozinha, reagir a estímulos que não existem, expressar pavor, motim ou lentidão psicomotora, além de provar desorganização do pensamento e do comportamento”, explica.
Uma vez que agem os medicamentos
Segundo a bula do medicamento, a pregabalina é um anticonvulsivante que age regulando a transmissão de mensagens excitatórias entre as células nervosas. Ele é indicado para o tratamento de quadros ansiosos e de dor crônica.
Já a sertralina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, usado para quadros depressivos e ansiosos.
De convenção com a médica, os medicamentos normalmente não desencadeiam surtos psicóticos: “Um surto psicótico não é uma consequência típica dessa combinação medicamentosa. Entretanto, indivíduos com maior vulnerabilidade prévia podem apresentar episódios de aceleração psíquica que gerem sintomas psicóticos durante o uso de antidepressivos porquê a sertralina. Em casos raros, pessoas predispostas podem ter alguma modificação da sensopercepção com doses altas de pregabalina, mas isso não caracteriza um quadro psicótico clássico”, finaliza.
Médicos de Bolsonaro suspendem medicação
A equipe médica de Jair Bolsonaro (PL) informou que o medicamento que teria causado quadro de confusão mental no ex-presidente foi suspenso. No boletim assinado pelo cirurgião universal Claudio Birolini e pelo cardiologista Leandro Echenique, a medicação foi receitada por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento da equipe.
“Esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele utiliza regularmente para tratamento das crises de soluços (Clorpromazina e a Gabapentina) e tem porquê reconhecidos efeitos colaterais, a modificação do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação irregular, sedação, transtorno de estabilidade, alucinações e transtornos cognitivos”, justificam Birolini e Echenique.
“O medicamento foi suspenso imediatamente, sem sintomas residuais neste momento. Foram realizados os ajustes necessários na medicação, restabelecendo a orientação anterior”, completam.
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Os médicos relatam ainda que Bolsonaro “encontra-se fixo do ponto de vista galeno e passou a noite sem intercorrências” e dizem que seguirão acompanhando a evolução clínica do ex-presidente e realizando reavaliações periódicas.
*Com informações do Estadão Teor
Publicado por Nátaly Tenório





